sábado, 18 de agosto de 2012

Fazenda Bel Monte


Bateu uma saudade dos tempos que já se foram
E uma vontade de sentir as noites escuras com ventanias
Sentar na calçada alta da Casa Grande
Ouvindo histórias de assombração 
E aventuras do povo do sertão
Chupando cana, rindo um riso solto e alto
Olhando lá do alto, as estrelas...
Saudades de Dona Aldenora
Organizando tudo, com uma lamparina de latão na mão
Para depois sentar numa cadeira de balanço
E embalar seus sonhos, com novas histórias de quando criança...
Saudades maior que tenho
Passa além da Fazenda Bel Monte e chega a minha mãe...

(Texto: Sandra Maria de Aguiar Coelho. Foto: Arquivo Família Aguiar Coelho)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cidade viva




Ao meio dia
A cidade viva
Vê vidas que se cruzam
Vê vidas que se dispersam
Os pés dos homens
Esmagam, destroem
A vida livre dos sonhos...
Eu engulo seco
A ânsia do choro
Que me sobe a garganta
Mas, a lágrima presa 
Escapa-me...
Eu soluço por você e por mim...
A dúvida que fica 
É a mesma que se vai
Quando sei que a dor leva à aprendizagem
E a certeza é andarmos rumo ao crescimento
Não importa o tamanho da estrada e da dor...
Não importa se você goste, ou eu goste
O caminho tem que ser percorrido... 
Na cidade
As mesmas vidas
Que hoje se dispersam
Há de um dia
Se cruzarem novamente...

(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)


domingo, 12 de agosto de 2012

Adauto Coelho... saudades




Debaixo do caramanchão
A infância se espalhava em sonhos
Ao lado de nosso pai
A criatividade se multiplicava
Saudades...
De tudo fazia por nós!
Sem recursos financeiros
Vivíamos na riqueza do amor
Brinquedos, tínhamos muitos feitos por nosso pai!
Eram caleidoscópios, piões, arraias, bonequinhos que pulavam acrobaticamente
Carimbos de caroço de abacate ou de batata, petecas de milho, carrinhos de madeira
Corações entrelaçados de fitas de papel fazendo um saquinho e cheios de doces coloridos
Tantas coisas para contar! Tantas!
Ele adorava fazer pasteis, salada de batata com sardinha e maionese caseira... e nós adorávamos comer!
E quando voltava da rua! Perguntávamos logo por presentes!
Presentes, eram pirulitos, bombons (balinhas), doces...
Se ele não tinha, falava que vinha trazendo, mas, pegou uma ladeira (a ladeira de quebra bunda! kkk) e escorregou...
E foram todos os docinhos pelo chão...
Ficávamos tão tristes! Não lembro se por causa dos doces que não chegaram ou se o nosso pai que caíra... 
Ah! E as noites! Noites pra que lhe quero?
Para enchê-las de bichinhos feitos com sombras de mãos e cabeças!
Nossa infância foi embalada em rede
Por histórias de fantasmas contadas em noites escuras
(normalmente faltava energia)
“... e ele do alto da escadaria, no casarão antigo, ouvia o arrastado de correntes... e uma voz perguntava: Cai ou não cai? ... outra voz respondia: Caiiiii.... E o braço dele rolava pelas escadas, até chegar ao chão... e o vento zumbia.... e os meninos que desobedeceram os pais e entram na casa abandonada tremiam, igualzinho a vara verde...”  
Quem não gostava nadinha dessas histórias era Dona Aldenora!
Depois de cada noite sem luz
Suas crias iam dormir com ela tremendo de medo de fantasmas...
A vida se resumia em brincadeiras, alegrias...
Preocupações nossos pais tinham e muitas!
Mas, nós, crianças pouco sabíamos delas
Eles protegeram nossas infâncias!


(Texto: Sandra Maria de Aguiar Coelho; Foto: (?); Imagem: Adauto Coelho)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Vontades


Nem todas as vontades
A vida libera
Há sempre aquela
Presa no pensamento
Presa na garganta
Vontades que criam raízes
No íntimo de cada um
Mas, que raramente, não se expõe 
Há vontades n'alma
Que não se expande
Mas, a  natureza é sábia
Por algum motivo
Não temos estas vontades
Na realidade de nossas vidas...



(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)

O tempo é eterno



A noite chegou
E me encantou
Com seus mistérios
Com seus desejos...
A escuridão da noite
E me fez ter a certeza
Que o tempo é paciente
Para se corrigir o erro
O tempo é eterno...


(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)  



Entre fios



A vida vai seguindo
Entre os fios que desfiam o colorido da vida
Entre a harmonia das cores que refletem o brilho do dia
Entre os erros e os acertos
Entre as dúvidas e as certezas
Entre as ilusões e as razões
Entre as paixões e os amores
A vida vai seguindo
Numa aprendizagem sem fim...


(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)








Toque que toque a alma


Um toque pode ser o suficiente
Para expandir a alegria
E sair da tristeza
Um toque pode ser o bastante
Para desistir do mergulho
Um toque que toque a alma
É o suficiente 
Para não se temer a escuridão
E enfrentar o dia....




(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)