quarta-feira, 11 de julho de 2012

Prefiro



Acabou a urgência da vida
Prefiro agora, andar em passos lentos
Debaixo das árvores, colhendo os frutos
Prefiro sacudir lentamente a poeira
E deixar o vento levar
Pede meu coração, agora
Que as coisas aconteçam
Em seu devido tempo
Nada de pressa
Nada mais de noites mal dormidas...
Que as coisas sejam lentamente maturadas
Para melhor absorção
Não quero mais
Uma vida acelerada
Uma viagem corrida
Uma amizade distante do coração...

(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ruínas




As construções são erguidas
Abrigam vidas, movimentos, sentimentos
São palcos de histórias que se perpetuam no tempo
Mas, o mesmo tempo que resguardam as situações vividas
Deixa suas ruínas como marcas...
As coisas boas e maravilhosas ficam
Mas, o tempo deixa cair o que não é sólido
Trás destroços, decadência, destruição   
Por causa da paixão e da ilusão
O tempo faz desabar o ódio, o rancor e o ciúme
Ranços de vidas e picuinhas são levados pelos ventos...
Mas, quisera ainda, que nem ruínas ruins existissem
Quem dera que essas malfadadas ruínas
Explodissem em brilhos e cores
E uma nova sociedade passar a existir  


(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)  

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entre o intenso e o periférico



Vezes, tem dias
Que vontade tenho
De ficar na margem
Para observar o povo

Vezes, tem dias
Que aspiração não falta
De voar pelo rio
Sentindo só as goticulas no rosto
E o calor úmido

Voar, em “voadeiras” no norte do Brasil
Em rios largos, profundos, mansos...

Vezes, tem muitos dias
Que anseio, não falta
De que a saudade,
Dor tão intensa,
Seja apenas periférica
Como uma brisa suave 
Sentida a beira de um rio...


P.S. 1: A primeira vez que andei de voadeira foi no Norte do Brasil, quando morei na cidade de Bom Jesus do Tocantins/Tocantins. Época em que, mesmo com ponte entre as cidades Pedro Afonso e Bom Jesus do Tocantins, o transporte mais usado era a bem dita voadeira.

P.S.2: Infelizmente, não tenho nenhuma foto deste curto período de tempo.


P.S.3: Quem tiver a oportunidade de ir nesta região, aproveite os meses de julho e agosto, época em que as águas baixam e no meio do rio, forma uma ilha, com praias, onde as prefeituras destas duas cidades se reversão ano a ano, e montam uma estrutura com barracas para alugar, criam palco para os shows, etc. A diversão é de dia e de noite. Fiz a "loucura" de atravessar o rio Sono de madrugada na voadeira! muito vento frio (para uma nordestina sem agasalho) e uma escuridão total, só um pequeno foco de luz de uma lanterna ajudava a visualizar o caminho! Depois que passa, uma grande experiência.


P.S.4: Não sei, hoje, como estão as cidades citadas.    





(Texto e Foto: Sandra Maria de Aguiar Coelho. Local: Delta do Parnaíba/PI/Nordeste/Brasil)

Escolhas


Varreu o tempo
Mudou o cenário
Abril o espaço
A vida continua...
Tentações nos chamam
Ilusões se formam
E o povo se deixa levar

Alguns se fixam
Mesmo em beiras perigosas
Buscam soluções
Se firmando no solo
Extraindo do concreto
Vitalidade para encarar
As dificuldades da vida

Sonhos são forças motrizes
Que nos fazem avançar
Ilusões são miragens
Que atrasam o desenvolvimento


(Texto e Pintura: Sandra Maria de Aguiar Coelho)

domingo, 8 de julho de 2012

A Lua e o religare



Entre nuvens a Lua surge
E Ilumina a todos
Lua majestosa, força divina 
Elo entre os homens e os céus
Se perpetuando o “religare”
Intensa ligação entre o Divino e os homens
Que acalenta os corações
E abranda os transtornos do dia
Visão do mundo modificando a vida
Força que influência a natureza
Força que alcança o íntimo humano
Lua que banha de luz a Terra
Lua que fortalece a fé
Lua que traz energia forte e suave
Rega o mundo de alegrias...



(Texto: Sandra Maria de Aguiar Coelho; Foto: Maite Onfre - Local: Olinda/PE/Brasil)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fogo

O fogo arde
Libera calor e luz
Provoca reações
Emite radiações
Mas, o fogo que ilumina
Que esquenta o frio
Que transforma os sabores dos alimentos
É o mesmo fogo que consome a vida  
Queima e destroi a natureza
Fogo provocado, mal usado...
Bastam pequenas faíscas
Em tempo seco
Para destruir uma mata
Para  aniquilar tantas vidas que voam, que corrrem...
Vidas que ficam sem alimento, sem chão...
O fogo que arde em chamas, nas matas
E faz sofrer meu coração...

(Texto e Pintura: Sandra Maria de Aguiar Coelho)


quinta-feira, 5 de julho de 2012

A dança




Não sabia que sabia dançar
Mas, ao som da música
Deixou-se levar
Melodia suave, compassada
Entoava ritmo cadenciado
Envolveu-se
E no encanto, dançou
Bailava, mas parecia que voava  
Embriagava-se com o som
Tanta alegria sentia que não parava
Rodava e rodopiava em círculos
Sem perceber o tempo passava
A noite acabou
A música findou
Seu par se foi
Mas, sua alma
Continuava a dançar...

(Texto e Desenho: Sandra Maria de Aguiar Coelho)